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O escultor pernambucano Zé Bezerra será apresentado ao mercado de arte paulistano numa exposição a ser inaugurada na quinta-feira 27 de novembro de 2008 na Galeria Estação, à rua Ferreira de Araújo, 625, em Pinheiros, São Paulo, SP. O artista do Vale do Catimbau, nos ermos de Pernambuco, foi convidado a expor sua obra pela presidente do Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro, Vilma Eid, e seu catálogo será apresentado pelo crítico Rodrigo Naves, com introdução do jornalista, poeta e escritor José Nêumanne Pinto.

 



 

Da Capela aos Cafundós

 

Há dois tipos de gente. Um olha uma pedra ou um pedaço de madeira e vê aquilo que a maioria vê: uma pedra, um pedaço de madeira. O outro percebe no mármore ou no tronco uma imagem qualquer – o belo Davi, Moisés com as pedras da lei, um lagarto estranho, um rosto rústico. O florentino Michelangelo Buonarroti dizia para quem quisesse ouvir que ele não fazia nada de tão complicado, mas apenas tirava os excessos dos blocos minerais que vinham de Carrara para deles extrair a imagem pungente da Virgem estreitando nos braços o cadáver do filho. O desconhecido matuto Zé Bezerra, que não nasceu em Florença nem esteve sob as ordens do Papa em Roma, pertence à mesma estirpe do célebre florentino. Ele vê figuras bizarras nos troncos que talha com seu facão. Trata-se de um artista, ponto! Só que mora no Vale do Catimbau, um sítio de difícil acesso nas brenhas de Pernambuco, e está a anos-luz da civilização metropolitana, que reverencia gênios como aquele que pintou o teto da Capela Sistina, no Vaticano. A missão do Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro é ir buscá-lo em seus ermos e trazê-lo para as delícias e desgraças do mercado de arte. O IIPB execra o preconceito de quem encara a arte do povo como um tipo menos nobre de expressão estética: é o artista que faz a diferença. E, sabendo que Zé Bezerra lá nos cafundós do sertão faz arte da melhor espécie, apresenta ao público e à crítica em geral sua pessoa e revela seu engenho singular.

José Nêumanne Pinto

Curador Literário

 

Acesse as edições de dois poemas inéditos de Nêumanne:

Poema-Sertão   |  Os peixes de Éfeso

 

 

 

 

 

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