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WANDERLEY PEREIRA
A notícia da semana
E a manchete do dia:
"Neumanne na Academia
De Letras Paraibana."
Quero estar na caravana
De apoio ao jornalista,
Uns com bandeira paulista,
Outros com a da Paraíba;
Vou levar, ninguém proíba,
A de Pinto repentista.
[06.05.1008. Wanderley Pereira é cordelista e jornalista cearense]
MOACIR JAPIASSU
NINGUÉM MERECE MAIS TAL HONRARIA; OS PARAIBANOS ESTAREMOS
TODOS COM NOSSO ÍDOLO JOSÉ NÊUMANNE!!!!
ASSINADO, MOACIR JAPIASSU, QUE SÓ ENXERGA UM DEFEITO NO FUTURO
ACADÊMICO: É FLAMENGUISTA…
[Moacir Japiassu é paraibano e um mestre do texto jornalístico.]
CARLOS ARANHA
Flávio não é candidato
“A hora e a vez é de José Nêumanne Pinto, que admiro, amigo caro,
escritor, e quero estar lá para prestigiar sua posse”.
A frase é do artista plástico Flávio Tavares, que assim
não vai disputar a cadeira nº 1 da Academia Paraibana de Letras, cujo
patrono é Augusto dos Anjos (seu último ocupante foi o dramaturgo e
folclorista recém-falecido Altimar de Alencar Pimentel).
Com a decisão, tudo indica que a candidatura de José Nêumanne possa
alcançar a condição de unanimidade, tendo em vista o apoio do próprio
mestre Flávio e o fato de que o autor do romance “O silêncio do delator”
não tem arestas com os integrantes da APL. A não ser que haja uma grande
surpresa.
Flávio fez questão de tornar pública sua decisão através d’Essas Coisas,
por considerá-la uma “coluna cultural”, como fez, por intermédio de
nosso amigo comum, o cronista do Kotidiano e agitador da vida,
Kubitschek Pinheiro.
Kubi foi à casa de Flávio anteontem, podendo ver o estágio em que se
encontra o painel “No reinado do sol”, de nove metros, que será atração
da Estação Ciência, uma das obras de maior vulto do prefeito Ricardo
Coutinho. Kubi me contou que, bem-humorado, Flávio brincava com
ospersonagens do painel (são mais de 500): “É um filme da história da
nossa loucura, desde que o Varadouro é Varadouro
até os primeiros surfistas nativos da praia inicial da minha vida,
Tambaú. O quadro é revelador. Tem Zé Lins, Augusto dos Anjos e as
tribos”.Meu grande amigo Flavío aproveitou a visita de Kubi e mandou o
recado sobre a eleição da APL, para ser dado através d’Essas Coisas. Em
tempo: ele sequer se inscreveu para disputar a vaga na cadeira de
Augusto dos Anjos. “Agradeço muito aos amigos a lembrança de meu nome,
mas o que gosto muito de fazer é pintar e para isso sobram motivos,
inspirações e tudo mais”.
O “kronista” do Kotidiano fez seu comentário: “Palmas para Flávio
Tavares, cuja praia é outra, também recompensadora, onde cabem muitas
academias líricas, uma saga que se conta nos mínimos detalhes, entre
matizes e pincéis”.
Aproveito a “deixa” para contar o que os da nova geração não sabem. Foi
Flávio Tavares que me presenteou com os desenhos usados na abertura do
meu curta-metragem de ficção, “Libertação”. Corria o ano de 1966 e o
gesto de Flávio sempre esteve entre minhas principais lembranças. Para
“Libertação” ser concluído só faltou a sonorização. Mas, o processo de
montagem ficou pronto, com o apoio muito generoso do
saudoso João Ramiro Mello.
No mais, ainda não ‘tô indo embora e faço um apelo aos escritores Sérgio
de Castro Pinto, Angela Bezerra de Castro, Otávio Sitônio Pinto, Carlos
Romero e Gonzaga Rodrigues para que também “fechem” com a candidatura
José Nêumanne.
Afinal, trata-se, hoje, de um dos nomes mais respeitados da literatura
brasileira, além de ter uma generosidade enorme com sua terra-mãe, a
Paraíba, e seus escritores e artistas em geral. Que o digam o próprio
Sérgio de Castro Pinto, Luiz Augusto Crispim, Vladimir Carvalho, Zé
Ramalho, Elba Ramalho, Bráulio Tavares, o “adotado” Gustavo Magno (um
potiguar paraibano) e muitos outros.
Coluna Essas Coisas. Correio da Paraíba. Terça-feira, 6 de Maio de 2008
- 09h00
REPERCUSSÃO
06.05.2008
O cineasta paraibano Manfredo Caldas, cujo filme “O romance do vaqueiro
voador” acaba de vencer o Festival de Toulouse, na França, mandou a
seguinte carta para Carlos Aranha, do Correio da Paraíba:
MANFREDO CALDAS
Meu querido Carlos,
Quero aqui me aliar e manifestar om meu mais irrestrito apoio a
candidatura do não menos querido amigo José Nêumanne Pinto para a
Cadeira Número 1 da APL.
Falar algo mais sobre o nosso Zé Neumão seria cair numa redundância
anacrônica. Sua trajetória já diz tudo.
Abraços,
Manfredo Caldas
Nêumanne na Academia
(um aglutinador e defensor da PB)
Carlos Aranha
“O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração”…
Da parte mais profunda da mente me veio o trecho da “Roda viva”, de
Chico Buarque, ao iniciar a coluna deste domingo. Foi automaticamente.
Refeito da entrada da música no meu cérebro, sem pedir licença, começo a
entender que foi por causa do tempo, aquele “tempo-rei” de Gil, que
recebeu a “oração” de Caetano. Tudo porque voltei ao tempo em que dois
garotos que amavam os Beatles e os Rolling Stones - eu e José Nêumanne
(foto de hoje) - estavam no palco do Teatro Minerva, de Areia, com
músicos de Campina Grande, fazendo o espetáculo “Pindorama, idolatrina,
salve, salve”. Éramos iconoclastas, dispostos a “derrubar as
prateleiras, as estantes, as estátuas, as vidraças, louças, livros, sim”
(”É proibido, proibir”).
E o tempo foi rodando, foi passando nas patas dos nossos
cavalos, táxis, ônibus, caronas, carros e aviões. Hoje, Nêumanne está em
São Paulo e, como gente foi feita pra brilhar, consolidado como um dos
melhores escritores do País (basta ver a “fortuna crítica” montada em
sua “home page”, a Estação Nêumanne). Seu “O silêncio do delator” é um
dos dez melhores romances brasileiros escritos nos últimos trinta anos,
com uma linguagem contemporânea, de pontos e contrapontos que lembram as
imagens dos melhores cineastas modernos (sem fugir, a nenhum momento, da
condição pura da literatura). Somente por “O silêncio do delator”
Nêumanne deveria estar integrando a Academia Paraibana de Letras.
Mas, há razões mais fortes para votar em Nêumanne como o escritor que
vai preencher a vaga do saudoso Altimar de Alencar Pimentel, na cadeira
nº 1, cujo patrono é Augusto dos Anjos. Uma delas é que Altimar
gostaria, com certeza, que assim o fosse, pela similaridade de idéias e
lutas pela cultura nordestina que sempre tiveram o escritor do “Auto da
cobiça” e o grande poeta de “Barcelona, Borborema”. Outra razão, essa de
ordem que mexe com a geografia e a empatia, é a de que o antecessor de
Altimar, assim como Nêumanne, nasceu em Uiraúna: Waldemar Duarte.
Vejo também algo fundamental para que Nêumanne seja eleito para a
Academia Paraibana de Letras (anteontem, por telefone, me confirmou sua
candidatura): sua natural capacidade de aglutinação e a condição de
verdadeiro e informal embaixador cultural da Paraíba em São Paulo,
defendendo esta terra, de Cajazeiras ao litoral, com “unhas e dentes”.
Além da própria grandeza do nome de José Nêumanne, como seria importante
para a Academia um de seus integrantes fazendo uma ponte permanente
entre a Paraíba e São Paulo, nesta época em que interagir nunca foi tão
necessário, tanto com o uso das formas e fórmulas simples como pelas
asas da Internet (uma linguagem que o autor de “As tábuas do Sol” domina
completamente).
A Academia Paraibana de Letras que já abriga autores tão
importantes e atuantes como Luiz Augusto Crispim, Hildeberto Barbosa
Filho, Elizabeth Marinheiro, Jomar Morais Souto, Carlos Romero, Otávio
Sitônio Pinto, Wills Leal, Ariano Suassuna, Gonzaga Rodrigues, Sérgio de
Castro Pinto, Ângela Bezerra de Castro - os outros todos, enfim - teria
mais um à altura de sua história.
Tenho certeza que, do alto de seus “Versos íntimos”, Augusto dos Anjos
seria um sorriso só ao ver sua cadeira ocupada por um escritor como José
Nêumanne, de quem disse Affonso Romano de Sant’Anna: “Nêumanne realizou,
de modo original, aquilo que tantos tentaram - o romance de minha
geração”.
Coluna “Essas coisas”
“Correio da Paraíba” / Edição de 13 de abril de 2008
REPERCUSSÃO
GLÓRIA GADELHA
Caríssimo Carlos Aranha,
Reverencio a arte de Flávio Tavares, que é absurdamente bela e
provocante. Também o considero merecedor de um futuro ingresso na APL,
sob nossas bênçãos e aplausos. Mas, como você, penso que é chegada a
hora da Paraíba imortalizar José Neumanne Pinto, uma das referências
absolutas das letras brasileiras, um escritor de texto carismático,
contundente e de excepcional intuição, uma grande inteligência
comprometida com a voz da nossa terra, ferrenho defensor das artes,
entrosado com o circuito da vida do nosso país. Imagino José Neumanne
integrando a grei guardiã das letras no nosso Estado, ao lado do
pungente narrador da poética do cotidiano e refinado romancista, nosso
augusto Crispim, que recentemente enriqueceu o romance com “O herói sem
rosto”; ao lado de Otávio Sitônio Pinto, um deus que responde a Deus
quando escreve “Dom Sertão e Dona Seca”, e tantos outros magníficos
escritores da minha terra que me alargam a alma quando instalam a
Palavra no meu coração. Como se eu crescesse ao lado deles.
Com o respeito e a admiração da,
Glória Gadelha.
VLADEMIR CARVALHO
Querido amigo Carlos Aranha,
Inspirado, você foi certeiro na mosca, citando de saída Chico, Caetano e
Gil a propósito da candidatura de José Nêumanne à Academia Paraibana de
Letras. Como se não bastasse o seu próprio depoimento você ainda desfia
uma série de definitivas razões que recomendam à exaustão a escolha do
autor do extraordinário O Silênco do Delator para ocupar a vaga do nosso
inesquecível Altimar Alencar Pimentel.
Essa é a primeira manifestação de apoio ao nome de Nêumanne que me chega
ao conhecimento. Outras já poderão ter ocorrido, pois é natural que
assim aconteça tratando-se de um escritor do porte do multifacetado
filho de Uiraúna. Como não sou propriamente assíduo nas transas da
internet, pode ter me escapado sinais do que a meu ver deve desde já se
transformar em movimento legítimo, unânime e vitorioso. Por isso,
apresso-me em assinar embaixo do que tão brilhantemente vem explícito na
sua festejada coluna: José Nêumanne é o candidato não só de sua geração,
mas de todos os paraibanos que militam em qualquer área das artes e da
cultura, dentro e fora de nosso estado.
Aproveito a ocasião para expressar-lhe a minha mais alta estima,amizade
eadmiração. Seu de sempre, o velho Vladimir Carvalho
O apoio do escritor e professor da USP ÁLVARO CARDOSO GOMES
Quando um escritor se candidata a uma Academia, em alguns
casos, acontece que a Academia fica diminuída, porque a escolha do nome
obedece a critérios políticos, a critérios de compadrio, amizade. Nesse
caso,as Letras ficam a ver navios, porquanto relegadas a segundo plano.
Mas quando uma Academia acolhe em seu seio um escritor dono do seu
ofício, ela só se engrandece e merece o nome de Academia, um local de
criaturas eleitas, de criaturas iluminadas. Nada mais justo, portanto,
que um nome como José Nêumanne Pinto mereça o seu ingresso na Academia
Paraibana de Letras. Digo isso, não só como Professor Titular de
Literatura Portuguesa da Universidade de São Paulo, romancista e crítico
literário, mas também como um “descendente” de paraibanos, já que meu
saudoso pai, Arquimedes Gomes da Nóbrega, ilustre advogado e poeta, era
de Patos, na Paraíba. Minha formação e ascendência permitem-me, mesmo
que não tenha votos, indicar com entusiasmo o nome de José Nêumanne
Pinto que, sem favor nenhum, é um dos grande escritores do nosso tempo.
Jornalista renomado, combativo, também se destaca pela excelência da
poesia e, sobretudo, pela prosa de ficção. O silêncio do delator, seu
último romance, não só desenha o retrato de uma geração perdida - a dos
Beatles, dos hippies, da nouvelle vague, do nouveau roman, do cinema
novo - como também a resgata com uma técnica refinada, em que,
contrapontisticamente, a exemplo de um Huxley, intercala momentos
temporais distintos, trabalhando com caracteres, que remetem
maliciosamente a figuras reais, disfarçadas, na pele de actantes, como
num bom exemplo de um roman à clef. Não é de somenos dizer até que há,
no Nêumanne romancista, ecos do jornalista, no modo como trabalha a
matéria viva do nosso tempo, ficcionalizando-a, com uma prosa saborosa,
irônica, multívoca. Por todas suas qualidades - como homem, como
jornalista, como poeta, como romancista - não há como não lhe reconhecer
o talento e recomendá-lo a quem de direito para a vaga da Academia
Paraibana de letras.
Álvaro Cardoso Gomes
Professor Titular da USP, crítico literário e romancista
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