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As cabeças da Odette
Eid me remetem à infância no sertão paraibano. Sempre que as
vejo, me vêm à lembrança as bruxinhas de pano das feiras
livres aos domingos em Uiraúna, o burgo pobre, empoeirado e
ensolarado onde eu nasci. Elas têm o mesmo ar gozador, nada
solene, ao contrário, bem descontraído, safado mesmo. Parece
que elas existem somente para nos lembrar que somos parcos,
pequenos, poeira de estrelas. Com seus ascendentes fincados em
outros sertões, lá longe, no Oriente Médio, Odette nos
transmite com suas cabeças a alegria e o drama da vida breve
na arte longa. Estas se referem, de alguma forma, à
carnavalização de Bakhtin. Mais ainda àquele fecho antológico
de um romance de cordel das mesmas feiras onde eu via as
bruxinhas: “o poder de Deus
é grande, porém o mato é maior”.

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